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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Beer Weekend 2009

Passei rápidamente pelo BeerWeekend 2009, na Grand Place de Bruxelas. Foi com uns bons amigos, e levamos muita sorte. Fomos no último dia e chegamos no exato momento em que se encerravam as vendas das “tampinhas” que você utiliza dentro da feira para trocar pelas cervejas. Portanto 5 minutos de atrazo significariam esperar para o próximo ano! Ao contrário de algumas feiras deste tipo, aqui toda cerveja é servida em seu próprio copo de vidro, por isso a feira é fechada com seguranças nas saidas para evitar do pessoal sair com os copos.
Ficamos cerca de 3 horas por lá, e com o objetivo de tentar novas experiências, provamos 4 tipos de cerveja, um pouco longe dos 290 tipos que estavam disponíveis. Iniciamos com uma Affligem Triple seguida de uma WitKap, Augustijn e Malheur 10. Todas foram surpresas muito boas. Com o tempo vou colocar um post mais específico de cada uma delas. É uma ótima feira, com um bom ambiente, para os que estão pensando em conhecer Bruxelas entre agosto e setembro, vale a pena esperar a primeira semana de setembro para participar desta festa. No proximo ano tem mais! Saúde!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Santo da Cerveja

Hoje se inicia o “Beer Weekend” em Bruxelas, onde vários eventos acontecerão, inclusive uma feira na Grand Place onde várias cervejarias venderão seus produtos.
Este festival tem uma conotação religiosa, pode parecer estranho, mas há uma forte ligação entre religião e cerveja, principalmente em países católicos romanos, onde todas as cervejarias possuem imagens de santos.
A presença destas imagens reflete a base agrícola do processo de fabricação da cerveja. Se Deus não provê chuva, não há água. Sem sol não há grãos ou lúpulo. E tudo isso em excesso pode acabar com as plantações.
Há vários santos padroeiros dos cervejeiros. Para os tchecos, o santo é o canonizado Rei Wenceslas da Boêmia. Para os alemães é o São Floriano, os franceses optaram pelo St. Arnold de Metz. Devido a proximidade entre fronteiras belga e francesa, há uma confusão entre os santos destes dois países. O padroeiro na Bélgica é St Arnold de Soissons. Ele é o mais popular dos santos “cervejeiros”. Nasceu em 1040 em Tiegem (oeste do Flandres) foi monge na abadia de St Médard em Soissons e mais tarde bispo. Fundou a abadia de Oudenburg entre Ostende e Bruges.
Diz a lenda que durante o tempo de uma peste St Arnold mergulhou seu crucifixo em um barril de cerveja encorajando a população a beber cerveja ao invés de água. Subitamente a peste desapareceu. A água era provavelmente contaminada, enquando que a cerveja, por utilização água fervida na fabricação estava livre dos micro-organismos.
Outra história conta que St. Arnold miraculosamente iniciou a fabricação de cerveja após a destruição da cervejaria da abadia.
O dia de St Arnold é 18 de agosto e é marcado por um pequeno ritual na cervejaria. Em celebração mais pública, as cervejarias prestam homenagem no inicio de setembro, com um serviço religioso na catedral de Bruxelas, fazendo recentemente parte do “Beer Weekend” o fim de semana na cerveja.




segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os grãos são para a cerveja o que a uva é para o vinho


A civilização pode ter origina com a cerveja e baseado nisso pode-se dizer que os belgas tem suas prioridades corretas.
A sugestão é que quandos os homens deixaram de ser caçadores, extrativistas e organizaram-se em sociedades para produzir grãos, o objetivo não era fazer pão e sim cerveja.
Pesquisas sobre isso tem com base escavações ao longo do antigo Egito onde é agora Israel, Síria Iraque e Turquia.
De acordo com estudos recentes, cevada era colhida ainda em um modo de produção extrativista a pelo menos 33000 anos atrás no que é hoje o norte de Israel e Síria, mas não se sabe se o objetivo era a fabricação da cerveja.
Agora sabe-se que cevada e trigo eram produzidos na mesma área há cerca de 13000 anos.
O segmento da Mesopotâmia possui o mais antigo registro do consumo de cerveja em uma peça decorativa datada com cerca de 6000 anos. Em uma série de tábulas sumérias de 5000 anos possui o que é descrito como a receita mais antiga de cerverja, explicando o processo de fabricação a partir da cevada.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Bélgica, o país da cerveja!

Quando olhamos para os países que são internacionalmente conhecidos pela cerveja vemos que todos tem uma coisa em comum: ficam na região mais ao norte da europa.
Mas o que esse fator tem a ver com a produção da cerveja? Tudo! Os países localizados mais ao sul da europa por possuírem um clima mais ameno permitem a produção de frutas e consequentemente a fabricação de vinho. Nos países do norte, o clima frio facilita a produção de grãos e logo a produção de cerveja.
Os primeiros relatos da produção de cerveja vem da região da Mesopotânia, atual Iraque, incluindo algumas leis referentes a fabricação, comercialização e consumo em um dos mais antigos conjuntos de leis, o Código de Hamurabi.
Após os Célticos iniciaram a produção de cerveja na região onde hoje é ocupada pela República Tcheca, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Irlanda. Agora podemos ver o porquê da Bélgica ser o país da cerveja, pois está localizada no meio desta “região” da cerveja. Há aqui ruinas de cervejarias que datam do 3º e 4º séculos.
No mesmo período, os Romanos e Gregos produziam o vinho, que passou a ser então produzido na França e na Ibéria. Quando os Romanos foram para o oeste, encontraram a cerveja sendo feita em tribos chamadas “Belgea”, ancestrais dos Valônios e provavelmente dos Flamengos, os dois principais povos da Bélgica.
Uma influência histórica neste processo é a regiao da Borgonha, hoje conhecida pelo vinho Pinot Noir, pela cozinha com Charolais e pela mostarda de Dijon. Na idade media, esta região incluia territórios da Bélgica, e lá surgiu então a expressão Burgês, que se referia a pessoa que gosta de comida e bebida em quantidade e qualidade, hoje o termo mais comum foi emprestado do francês: Gourmand.
Os monges beneditinos de Hoegaarden e Affligem nos últimos 3 ou 4 séculos do milênio tiveram uma grande influência na produção da cerveja.
No auge do poder burgês, a abadia de Cluny era a capital intelectual da Europa, e os beneditinos exerceram grande influência por séculos.
A vida extravagente na região também deu inicio a uma reação com a criação da abadia de La Trappe (primeira abadia Trapista, que buscava restaurar a simplicidade e austeridade originais) , na região na Normandia na França, que até hoje funciona e originou os demais mosteiros Trapistas na Bégica e Holanda.
O termo “The Burgundies of Belgium”, traduzindo livremente para “as burguesias da Bélgica” ainda é utilizado para descrever as cervejas da Valônia e Flandres.
Na França a uva tomou espaço, mas a região ainda é um encontro da alta gastronomia e de duas culturas diferentes.
Enquando na França as crianças tomam vinho nas refeições, na Bélgica elas tem contato com cervejas de baixa graduação alcoolica.

Quem sou eu

Bruxelas, Belgium
Engenheiro Mecânico, doutorando pela Vrije Universiteit Brussel, apreciador das diferentes cervejas deste país. dúvidas? fpresezn@vub.ac.be