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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Chimay Bleu – Chimay – Abbaye de Notre Dame, Scourmont

A cerveja trapista mais conhecida é produzida na abadia de Notre Dame em um lugar chamado Scourmont, próximo a cidade de Chimay na província de Hainaut.
O monastério foi fundado em 1850 e iniciou a fabricação mais ou menos 12 anos mais tarde. A fabricação em escala industrial já se iniciou nos primeiros anos, e este se tornou o primeiro monastério na Bélgica a fazer isso, além de também ser o primeiro a usar, entre as 2 guerras mundiais, a definição “cerveja trapista”.
Após a segunda guerra mundial, o grande cientista belga de cerveja Jean De Clerck ajudou a reerguer a cervejaria. Segundo o frei Theodore, seus conselhos foram de uma riqueza inestimável para a cervejaria, tanto que após a sua morte em 1978 ele foi enterrado na abadia.
O estilo associado as cervejas trapistas é uma cerveja frutada, temperada, adocicada, com um corpo profundo e uma cor marrom escura.
Estas características originais retornaram com a Chimay Bleu (9%), que possui uma gravidade de 1081 OG, que permite desenvolver um pouco de caractere com um envelhecimento na garrafa. Na melhor condição, possui toques de pimenta e sândalo. A cervejaria considera 2 anos um periodo de envelhecimento ideal, no qual a cerveja deve ser mantida entre 15 e 18ºC. A temperatura de consumo também deve estar a volta de 15ºC.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Delirium Tremens- Huyghe Brouwerij

Ontem no fim da tarde ainda não havia decidido sobre qual cerveja, cervejaria ou tema escrever para o post de hoje. Mas, ontem tivemos uma pequena confraternização no departamento para um colega que está se aposentando. E foi lá que decidi escrever sobre esta cerveja. Na verdade, ela não estava disponível, mas como todos me conhecem muito bem por aqui e sabem das cervejas que gosto, a nossa secretária comprou algumas Delirium especialmente para mim! Foi uma boa surpresa. Quem não quer ter uma secretária dessas heim! Obrigado Birgit!
O nome desta cerveja já é uma grande sacada. Para os que não sabem, O Delirium Tremens é uma psicose causada pela abstinência ou suspensão do uso de drogas ou medicamentos freqüentemente associada ao alcoolismo. Assim, é uma forma mais intensa e complicada da abstinência. Delirium é um diagnóstico inespecífico em psiquiatria que designa estado de confusão mental: a pessoa não sabe onde está, em que dia está, não consegue prestar atenção em nada, tem um comportamento desorganizado, sua fala é desorganizada ou ininteligível, a noite pode ficar mais agitado do que de dia. Como dentro do estado de delirium da abstinência alcoólica são comuns os tremores intensos ou mesmo convulsão, o nome ficou como Delirium Tremens.
Resumidamente, o Delirium Tremens é como um estado extremo de embriaguez com ilusões dos sentidos e agitação motora até a fúria provocada pelo abuso de álcool. Um traço comum no delírio tremens, mas nem sempre presente são as alucinações tácteis e visuais em que o paciente "vê" insectos ou animais asquerosos próximos ou pelo seu corpo. Esse tipo de alucinação pode levar o paciente a um estado de agitação violenta para tentar livrar-se dos animais que o atacam. Por isso o símbolo da cervejaria é um elefante cor de rosa, dizem que se você tomar muitas Delirium, você passa a ver esses elefantes flutuando por ai.
Este nome foi até considerado inaceitável nos Estados Unidos, onde a cerveja era vendida pelo nome de Mateen. A inovação do nome pode por em xeque a primeira venda, mas o sucesso nas exportações sugerem que o consumidor volta para mais.
Delirium Tremens é uma cerveja muito clara, apesar de ser condicionada em garrafa. Tem uma nota inicial clara, densa, um “bouquet” muito frutado, um paladar adocicado e, claro, muito alcool, cerca de 9%. Os lúpulos usados incluem não somente o Saaz mas também Styrians e a fermentação utiliza 3 culturas diferentes de levedura. Estes tipos são empregados em dois estágiso de fermentação primária e no condicionamento na garrafa.
A delirium é o principal produto da cervejaria Huyghe, em Melle, próximo a Ghent. A cervejaria iniciou em 1906 e a cerveja delirium começou a ser feita em 1989 a pedido de italianos.
O rótulo, principalmente combinado com a garrafa que imita cerâmica, faz parecer que é uma bebida para crianças, cheia de animais e elefantes rosa, porém tudo isso é feito em referências aos diferentes estágios do Delirium Tremens.
E antes que me perguntem, não, ontem eu não voltei para casa enxergando elefantes rosa. Compartilhei as 6 delirium com meus colegas! Gezondheid!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Stella Artois – AB InBev

Conforme postei ontem, hoje vou escrever sobre uma das, se não a, cerveja belga mais conhecida no Brasil. Então, vamos começar pela história desta cerveja, e a primeira pergunta é: Porque o nome Stella? É o nome da esposa ou da filha do cervejeiro? Não!
Stella foi escolhido com o sentido original da palavra estrela em latim. Este nome veio em homenagem a estrela de Belém, que para aqueles não católicos ou que faltaram as aulas da catequese, é a estrelha descrita no Evangelho segundo Mateus que anunciou o nacimento de Jesus e guiou os Três Reis Magos até o local onde ele se encontrava. E isso tem tudo a ver com o lançamento da cerveja, que no inicio foi uma cerveja especial de Natal. Parece ser uma escolha estranha, uma cerveja dourada no natal, já que por muitos anos as cervejas de Natal foram escuras. Voltamos então a 1926. Nesta época, a maior parte das cervejas eram escuras, não importava a época do ano. Contra este histórico, esta cerveja dourada devia realmente brilhar como uma estrela.
Apesar de ser uma cerveja sazonal, ela foi claramente modelada de acordo com uma Pilsener tcheca. A cerveja evoluiu, ficou com um corpo mais leve e um sabor mais suave com o passar dos anos, mas continua com o caráter do lúpulo Saaz: floral, herbal e temperado, especialmente no aroma.
Tornou-se a cerveja mais vendida na Bélgica, então firmou posição na fronteira da França, cruzou o canal da Mancha para o Reino Unido e hoje é internacional pela InBev.
A história da cervejaria também é interessante. Ela fica na capital belga da cerveja. Existia cerveja em Leuven (ou Louvain, para os francófonos) antes mesmo dos estudantes, apesar dos dois serem praticamente inseparáveis.
Um bar de cerveja chamado de “The Hunting Horn” esta nos registros como datando de 1366. Em 1425 a universidade foi fundada, para acolher pessoas como Mercator (aquele da projeção de alguns mapas), Erasmus e gerações de estudantes cervejeiros. É a universidade católica mais antiga do mundo. Um século após a fundação, a cidade contava com 42 cervejarias.
Sebastien Artois (olha o nome ai!) era um aprendiz no “The Hunting Horn” e o nome sugere que sua familia é originária da região de Artois, no norte da França. Ele graduou-se mestre em brassagem em 1708. Menos de 10 anos depois ele já havia contruido o seu negócio.
Artois ficou com a familia por mais de 100 anos, transformou-se na maior cervejaria belga e comprou não somente competidores locais como também holandeses e franceses, antes de se fundir com o rival local Piedboeuf, produtor da cerveja Jupiler.
Hoje Leuven é a capital do Brabante Flamengo, embora esteja na fronteira com a Valônia. Portestos ocorreram na cidade nos anos 1950 e 60 por questões linguisticas resultando na organização não só de uma universidade francófona, mas de uma nova cidade, Louvain La Neuve, perto de Bruxelas.
Fiz questão de colocar a foto da Stella vendida aqui, de garrafa escura, diferente da verde utilizada no Brasil. Só tomei esta cerveja no Brasil uma vez, quando estive por lá de férias. Posso dizer que não tem nada a ver com a Stella vendida aqui. O nome pode ter ficado internacional, mas a cerveja, tenho minhas dúvidas!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Duvel – Duvel Moortgat Brouwerij

Para os francófonos, pronuncia-se “DooVELL”. Chamar Duvel assim é um erro perigoso. Especialmente porque esconde um pouco do que a cerveja realmente é. O nome é flamengo e é uma modificação da palavra “Diabo”, "Duivel". Então, se você não conhece, tome cuidado, você não imagina o que Duvel realmente é!
Ela não é uma daquelas “super premium” lagers, com pouco malte, lúpulo e ligeiramente fortes que se faz diariamente . Também não é uma daquelas extra-fortes largers feitas em países nórdicos com mais costa do que terra, onde a população passa a vida em ferries nas águas territoriais tomando cerveja que não foram maturadas o suficiente e portando ficam mais adocicadas.
Duvel não é nada disso. Duvel não é uma lager, apesar de ser feita com malte pilsener. Se você pensa que as loiras são fracas em alcool e as escuras fortes, deve tomar cuidado. Duvel parece uma loira e se apresenta de uma forma que enaltece suas curvas. O maior feitiço não é somente o teor de 8,5%, mas o fato de ocultar isso muito bem. É servida em seu copo com uma forma “burguesa”, com sua nota inicial, sem falar do aroma, sabor e sua nota final, não podendo ser confundida com uma pils, apesar de algumas vezes ser.
É tão especial que inspirou um número suficiente de outras cervejas para um estilo. É uma Golden Ale, uma Golden Ale bem forte.
Seu malte é denso o suficiente para prover um corpo forte enfraquecido pelo açúcar. Do seu corpo, limpo e leve, os aromas de lúpulo e sabores como de casca de laranja aparecem. Há sabores do fermento, também frutados, mas frescos e “limpos”.
Duvel tem uma história interessante. No tempo da fama das cervejas Ales escocesas na Bélgica, entre as duas guerras mundiais, uma garrafa de McEwans foi “separada”em um microscópio por um grande cientísta estudioso da cervejas chamado Jean DeClerk. E ele fez um verdadeiro trabalho de cientista, estudando, pesquisando, investigando.
Talvez ele estivesse interessado nas características do sabor, que pareciam vir do fermento, pereciam uma mistura entre 10 ou 20 tipos diferentes.
DeClerk realizou este trabalho em conjunto com uma cervejaria local, da familia Moortgat. Nesse tempo, Moortgat tinha uma cerveja escura de alta fermentação. Com as culturas de fermento isoladas da cerveja McEwans eles iniciaram um novo produto. Após a segunda guerra, as cervejas loiras cairam no gosto da população na Bélgica.
Em 1970, a cerveja escura foi substituida por uma loira, novamente DeClerk estava envolvido. Mesmo com um malte estilo pilsener é difícil produzir uma Ale forte e dourada. O problema é que a densidade do malte necessária para fazer uma brassagem forte inevitavelmente muda a cor, tendendo a um bronze.
Porque então fazer uma cerveja mais pálida, clara? Em parte por motivos estéticos. Eles queriam responder a moda das cervejas claras. E por fazer com um malte de uma cor clara, não comum, eles também cheram a um corpo mais limpo.
É dito que um dos cervejeiros da empresa, após provar uma amostra disse: “Este é o diabo das cervejas” e espontâneamente deu a Moortgat o nome para a cerveja.
No Brasil está cada vez mais fácil de se encontrar uma Duvel. O problema é o preço que gira em torno de R$40,00 a garrafa pequena. Gezondheid!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Malheur 10 - Malheur Bieren

A muito tempo atrás esta cervejaria levou o nome de sol ou moinho. Mas atualmente ela reemergiu com um nome um pouco sarcástico: Malheur, que significa Azar.
A cervejaria vem de uma familia de cervejeiros, onde o atual proprietário Emmanuel De Landtsheer é filho de um cervejeiro, sua mãe também é filha de cervejeiros e por consequencia seu irmão também trabalha no ramo. As primeiras cervejas eram de fermentação espontânea, e até hoje os equipamentos para a fabricação deste tipo de cerveja pode ser encontrado por lá.
A cervejaria fechou as portas logo antes da segunda guerra mundial, porém a familia continuou a produzir lúpulo até os anos 70.
Após a morte do pai em 1991, Emmanuel trabalhou para fazer seu sonho virar realidade, e em 1997 reiniciou a fabricação de cerveja.
A primeira cerveja tinha em seu rótulo um número 4, referência ao teor alcoolico do produto, mas segundo o antigo sistema belga de medir os graus. Com certeza na atual classificação, essa cerveja teria no mínimo 5.8, ganhando mais uns pontos na refermentação sendo mais lógico o 6 de hoje. O proprietário fala que 4 é o número que se pode beber sem ficar embriagado.
Deixando o contexto histórico de lado, falamos agora da Malheur 10. Conheci esta cerveja no BeerWeekend deste ano. Foi com certeza a melhor ceveja que degustei no fim de semana. Tanto que fiquei uma semana querendo escrever este post mas estava difícil, pois a cervejaria possui vários tipos especiais e não sabia como classificar a Malheur 10.
Esta cerveja foi lançada no ano do milênio. Os ingredientes são similares, mas com uma gravidade maior, dando maior corpo, mais sutileza, algumas notas mais “picantes” e um longo, leve e saboroso sabor do lúpulo.
Além disso, possui aroma de pêssego, com um sabor de rosas, com traços de casca de laranja e limão.
Ela possui 10 dias de pré fermentação, o mesmo periodo de uma fermentação secundária, 3 ou 4 dias de armazenamento seguido de filtragem para remoção do fermento e na sequência uma dosagem nova de fermento é adicionada seguida com um “priming” de açúcar branco.
Esta cerveja com certeza irá comigo para o Brasil em dezembro. Será uma das 3 cervejas especiais que levarei para uma degustação especial. Gezondheid!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Westvleteren Blauw – St Sixtusabdij

Após uma pequena introdução sobre as cervejas trapistas, chegou o momento de falar da que com certeza é a mais especial delas. A Westvleteren, da abadia de St Sixtus.
Onde o campo se encontra com marcas da guerra e jardins de lúpulo, a menor das cervejarias trapistas, St Sixtus, persegue a paz em Westvleteren, entre a fronteira francesa e Ieper, na região oeste do Flandres.
A abadia data de 1831 e a fabricação se iniciou 8 anos depois. Não há refinamentos no produto, como por exemplo rótulo nas garrafas. A diferença entre os diferentes tipos de cerveja é a tampa da garrafa, que pode ser verde, azul ou amarela.
Produz somente o suficiente para a sua manutenção, podendo a cerveja somente ser comprada na abadia (pelo menos de maneira oficial).
Segundo informações da abadia, para comprar a cerveja você precisa reservar com antecedência e você só pode comprar aquela que está sendo fabricada no momento em uma quantidade limitada a um pedido por carro por número de telefone. Quando o produto disponível é a com tampa amarela, uma longa fila de carros se forma em frente da abadia. Ela somente é vendida para clientes que se comprometem a não revender e não repassar para terceiros.
Neste post falo sobre a Westvleteren Blauw (blauw significa azul em neerlandês), uma cerveja que possui teor alcoolico de 8%. Ela não é a mais famosa das Westvleteren mas é considerada por muitos a melhor, o “Châteaux Margaux” das cervejas.
Com relação ao sabor, possui uma nota inicial forte, com uma coloração “gourmant”. É frutada e doce com uma pequena sugestão de ameixa e chocolate.
Esta é a única as Westvleteren que ainda não degustei, mas a experiência que tive com a de tampa amarela, considerada a melhor do mundo, me faz acreditar em tudo o que foi descrito.
Em uma reportagem publicada no portal G1 da Globo, mostra que esta cerveja é vendida em um bar de São Paulo por R$179,00, apesar da reportagem falar que a garrafa é de 750ml, com certeza não é, já que a Westvleteren só é vendida em garrafas pequenas.
Tenho uma garrafa desta maravilha comigo, presente de alguém especial, guardada como recomendam os monges, na vertical, no escuro e a uma temperatura amena. Só vou abri-la quando encontrar novamente esta pessoa. Pessoas especiais + cervejas especiais = momentos inesquecíveis.
Recomenda-se guardar entre 12ºC e 16ºC e a não refrigerar para o consumo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

La Chouffe - Brasserie d'Achouffe

Com certeza esta é uma das cervejas belgas que mais aprecio. Meu primeiro contato com esta cerveja foi em um bar dentro da universidade, em 2006, quando aqui estive para uma entrevista referente a uma vaga no projeto que participo agora.
A cervejaria d’Achouffe é dentre a nova geração de pequenas cervejarias com certeza a de maior sucesso. O nome tem origem na aldeia de Achouffe, nas Ardenas, província de Luxemburgo.
Chouffe é um gnomo barbudo, que usa uma toca vermelha que é o símbolo da cervejaria.
A primeira cervejaria d’Achouffe iniciou em 1982 em uma casa de campo do ano de 1805.
As cervejas são feitas com água da primavera das Ardenas, com maltes Pilsener e cristal, açúcar branco e mascavo, lúpulos Styrian e Sacz e coentro.
Existem dois principais produtos, ambos com um limpo, delicado e leve sabor de malte e considerável sutileza e complexidade.
La Chouffe (8.0GL) com uma cor entre dourado e pêssego, um aroma doce e frutado e paladar com notas cítricas que ficam tendendo a notas de vinho e mais complexas com o tempo.
Como toda cerveja belga, La Chouffe possui seu próprio copo. Uma parte intessante deste copo, são as palavras “Magic Chouffe”, escritas de forma invertida no copo para que você possa ler de maneira correta através do copo e as curvas do copo, juntamente com a cerveja criam um efeito mágico.
A princípio a cerveja só era vendida em garrafas de champange, com 750ml, mas após a aquisição da cervejaria pelo grupo da cervejaria Duvel, garrafas pequenas podem agora também ser encontradas.

Quem sou eu

Bruxelas, Belgium
Engenheiro Mecânico, doutorando pela Vrije Universiteit Brussel, apreciador das diferentes cervejas deste país. dúvidas? fpresezn@vub.ac.be